sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Mudança
Nos mudamos para http://cinemamentira.wordpress.com
Lá você encontrará as mesmas postagens que aqui estão e a continuidade do nosso blog, e além disso posts do nosso novo colaborador Dainsu (Thiago).
=)
Abraços.
sábado, 19 de dezembro de 2009
A Influência das Artes Plásticas na contrução estética dos filmes de Takeshi Kitano
(Elab orado para a disciplina de Teoria da Imagem e do Som do curso de Cinema e Audiovisual)
(Quadro pintado por Kitano em Hana-bi)
(frame do filme Dolls)
Para a análise do cinema como arte, ou mais ainda, da influência das artes plásticas no cinema, consideramos a necessidade de se falar de um cinema ainda pouco disseminado, o cinema japonês, de importância tamanha para a história do cinema; e no campo das artes, importante para a arte como um todo. Para tanto, nos decidimos pelo diretor japonês Takeshi Kitano, que ingressou na carreira artística como ator e que também pratica a pintura em tela. Os filmes analisados foram “Hana-Bi: Fogos de Artifício” (1997) e “Dolls” (2002). Através da análise desses filmes vamos traçar os paralelos das influências artístico-plásticas contemporâneas.
Hana-Bi e Dolls
Kitano em Hana-Bi, contrasta a vida de um cara durão, interpretado por ele mesmo, com as pequenas doçuras e sutilezas da vida, como ouvir o som do mar e passear com sua mulher muda na praia. Aqui as Artes Plásticas são usadas para mostrar passagens de tempo e estado de espírito, e foram pintadas pelo próprio Kitano e posicionadas em pontos e tempos estratégicos do cenário e do filme. Suas telas representam seu ponto de vista sobre determinadas “cenas” de sua vida no passado. Nesse caso podemos comparar a função da tela como a de um flash back.
Como Sergei Eisenstein diz em seu livro O Sentido do Filme, as linhas, traços e cores estão sempre em diálogo com “algo”:
“Quando falamos de “tonalidade interior” e “harmonia interna de linha, forma e cor”, temos em mente uma harmonia com algo, uma correspondência com algo. A tonalidade interna deve contribuir para o significado de um sentimento interno. Por mais vago que seja este sentimento ele avança sempre em direção a algo concreto, encontra sua expressão externa em cores, linhas e formas.” Eisenstein. 1947, p. 77.
Quando Eisenstein discorre sobre isso ele faz referência direta a Kandinsky, um artista plástico francês com amplo estudo teórico e plástico sobre as cores. De fato esta “tonalidade interior” faz sim referência a “algo”, e isso em Hana-Bi se faz presente na utilização de quadros como foco dramático. Mas em Dolls, por sua vez, a cor é praticamente tudo e não só o “algo”, e o avanço em direção a este “algo concreto” tem sua conclusão ao fim. Durante todo filme Dolls existe um avanço de sentido e dramaticidade em busca da plenitude do sentido e da plástica.
Dolls é difícil de exprimir, pois qualquer afirmação pode parecer cabível, mas em segunda análise pode se desfazer como pó nas mãos. Este é um risco que corremos ao tentar analisar um filme denso como este, extremamente conceitual, cheio de alegorias, significação, representação e referência teatral e plástica. Talvez por esse viés possamos ser mais bem sucedidos.
O filme começa com uma situação típica no Japão clássico, o teatro de bonecos Bunraku. Nestas cenas os personagens que coordenam o Bunraku dão vida para cada uma das partes dos bonecos, os pés, as mãos e a voz, e cada um, juntos como em uma dança, executa sua função. Podemos considerar essa dança como uma alegoria do filme por completo, pois ao final o casal protagonista se transforma nos bonecos, executando os mesmo movimentos e vestindo a mesma roupa.
O que mais nos toma e nos briga a falar da influência da pintura neste filme são os enquadramentos que se mantêm passivos, como meros quadros, apenas dando vazão a algo mais profundo. Em diversas vezes estes enquadramentos são mudos, acompanhados apenas pela minimalista música. O olhar dos personagens é imutável, se mantendo o mesmo por todo o filme. Vejo os personagens e os pontuo como “quadros ambulantes”, personagens estáticos assim como a pintura.
Uma questão que nos intriga é a utilização das cores, em especial do vermelho e amarelo, que explode todos os cantos da tela, principalmente na estação do Outono, que é seu ápice. É sabido que Vincent Van Gogh sofreu influência direta das artes japonesas, e isso pode ser observado em sua obra, onde o vermelho, quando presente, não se mistura a mais nenhuma cor, se mantendo único e soberano e o amarelo é a cor base de todos os seus quadros. E Eisenstein, dando voz a Van Gogh, escreve em seu livro: “... em vez de tentar reproduzir exatamente o que tenho diante dos meus olhos, uso a cor arbitrariamente, de modo a expressar a mim mesmo arbitrariamente.” (EISENSTEIN, 1947, p. 86). Contudo, percebe-se um tom onírico na afirmação de Van Gogh, e isso se confirma em seus quadros. Esse tom onírico também se transporta para a utilização dos elementos da Direção de Arte e Fotografia nos filmes de Takeshi Kitano.
Dessa forma podemos perceber um diálogo direto do cinema com as artes plásticas, e do ocidente com o oriente, visto que Van Gogh foi um dos propulsores impressionistas, bebendo diretamente da fonte oriental.
Outro diálogo que podemos estabelecer de Dolls com a arte é a utilização da Fotografia e Arte onírica, e dessa forma podemos suscitar conceitos surrealistas para tal afirmativa. Sendo assim, a fim de embasar essa questão buscamos novamente em Eisenstein através do seu livro O Sentido do Filme. Em determinado momento, ainda relacionado ao trabalho de Kandinsky, ele diz: “O método usado aqui é claro – abstrair ‘tonalidades internas’ de qualquer matéria ‘externa’.” (EISENSTEIN, 1947, p. 79).
Trazendo isso para nosso trabalho, faz parecer que Eisenstein escreveu esta frase para o próprio Dolls. E acho que ela resume toda a densidade intrínseca dessa obra, que assim como o surrealismo abstrai o sentido interno das interpretações que estão por fora. Sabemos que esta afirmativa nos dá uma rasteira – como se mesmo escrevendo ad infinitum não pudéssemos apreender a extensão de tudo em palavras – mas não poderíamos deixar passar despercebida, pois mesmo sendo derrubados conseguimos levantar o sentido e chegar à cerne da questão dos filmes de Takeshi Kitano.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Chungking Express - Wong Kar-Wai (Análise Fotográfica)
(Trabalho desenvolvido para a disciplina de Direção de Fotografia)
Chungking Express – Wong Kar-Wai
Análise Fotográfica
Ficha Técnica
Titulo: Chung Hing Sam Lam (Chungking Express )
Duração: 98 min.
Ano: 1994
Diretor: Wong Kar-Wai
Direção de Fotografia: Christopher Doyle e Keung Lau Wai
Diretor de Arte: Weiming Qiu
Música: Frankie Chan, Michael Galasso, Roel A. García
Montagem: William Chang, Kai Kit-wai, Kwong Chi-Leung
Figurino: William Chang
Efeitos Especiais: Weijue Deng, Yunda Ding, Xiaolong Cheng
Atores Principais: Brigitte Lin, Tony Leung Chiu Wai, Faye Wong, Takeshi Kaneshiro
Som: Dolby Stereo 2.0
Imagem: 1.85:1
Neste filme, o diretor Wong Kar-Wai trabalha com seu diretor de fotografia favorito, Christopher Doyle, e também com o fotógrafo Keung Lau Wai. Talvez seja por isso que essa obra seja tão perfeita, complexa e completa, com um preciosismo tamanho que a torna impecável em termos estéticos, sendo, pelo menos para mim, a melhor de Wong Kar-Wai.
O filme Chungking Express trata de duas histórias paralelas, que acontecem quase ao mesmo tempo, e que de alguma forma, sutilmente, se encontram. São histórias de vidas que vagueiam pela cidade, assim como em My Blueberry Nights. Mas aqui, em Chungking Express, as histórias são de amores razos, rápidos, assim como o nome diz, “amores expressos”.
Esse filme carrega a poética, tão bem formulada, da mistura das pessoas com os elementos da cidade. As sombras da fotografia consomem os personagem, os borram, moldam suas silhuetas, escondem e ocultam, e mostram quando deve. Neste filme eu sinto a explosão da estética de Wong Kar-Wai, um relicário de todas as suas marcas mais profundas, resumidas na estética, na arte e na fotografia.
Diretores de Fotografia
Christopher Doyle já trabalhou com Wong Kar-Wai em diversos outros filmes como Fallen Angels, Ashes Of The Time, 2046, dentre outros. A sua marca na maioria dos filmes, visto em outros filmes em que trabalhou (Hero, Psycho, etc.), é com certeza a utilização e mistura de cores fortes, contrastes e saturação de imagens.
Keung Lau Wai também já trabalhou em alguns dos filmes de Wong Kar-Wai e também dirigiu vários longas. Assim como Christopher Doyle, ele também tem uma influência muito forte no trabalho com as cores.
A Profundidade de Campo como Icógnita
Quando vejo os contrastes estéticos dos filmes de Wong Kar-Wai sinto um certo tom de ironia – ou talvez melhor, uma metáfora – em relação à vida. Como se a cidade estivesse sempre cheia, sempre misteriosa, e nós completamente vazios, à mercê de algo que pode surgir por entre as sombras. Em diversas cenas é assim, o silêncio e o escuro são convidativos, e demonstram a imensidão e dimensão dos cenários, sempre com algo “por de trás”, mas que não podemos enxergar. E nada mais poderia caber tão perfeitamente, pois em Chungking Express assim como percebemos a solidão das sombras também sentimos a solidão dos personagens – caracterizados por pessoas perdidas pelas cidades, em busca do que perderam ou do que almejam – e tudo isso se assemelha com as sombras que nos dão a impressão da imensidão e por conseqüência da perdição, pois são nas sombras que os personagens se perdem. Mas em contraponto o filme possuí também cenas com fotografia naturalista, demonstrando os momentos de neutralidade e calmaria pelos quais os personagens passam.
Diversidade de Elementos de Cena
É neste filme que o diretor Wong Kar-Wai mais trabalha com elementos e objetos narrativos e contextualizadores. Junto com a fotografia, a arte trabalha a contraposição de cores frias e quentes o tempo inteiro. Neste filme vemos uma mistura étnica devido aos diversos tons que ele assume: elementos hindus, norte-americanos, europeus, japoneses e chineses. Alguns cenários beiram o kitsch, pois assim como as sombras nos dão a impressão de imensidão, o exagero dos elementos – o próprio kitsch – nos trazem a sensação de aperto, de um local cheio de memórias que nos sufoca. Isso acontece principalmente com a casa do policial 633, que é uma mistura estranha de lembranças, coisas, adornos e cores. Claro que esses elementos não seriam nada, e nem nos passaria a impressão que passam sem a fotografia adequada. Ao imaginar como aquela casa seria sem a iluminação que lhe foi empregada vejo que seria uma casa como qualquer outra, uma casa simples. Mas para a tensão do filme, – e como já disse anteriormente – a sensação de sufoco, se torna necessário a invasão e variação fotográfica, utilizando sombras e luz o tempo inteiro, nos afirmando ainda mais todas as sensações.
Poética dos Espelhos
A utilização de espelhos, em todos os filmes, e nesse mais que todos os outros, como na cena, de Chungking Express, em que Faye limpa a vidraça da loja, e na mesma direção está o policial 633. Ela alisa a vidraça como se desenhasse o corpo dele, mas neste momento ele ainda está distante dos sentimentos dela.
Velocidade e Borrão
Nas cenas de perseguição e grande movimentação dos personagens e câmeras, a direção de fotografia deixa a imagem borrar e tremer ao extremo, sofrendo cortes abruptos e cortes na continuidade da imagem. Dessa forma a gente tem a impressão de maior velocidade da cena, e os borrões nos impedem de perceber detalhes, nos focando apenas na essência da cena, e fazendo ainda mais os personagens se misturarem com o ambiente que permanece borrado.
Prêmios
O filme Chungking Express foi indicado ao Prêmio de Cinema de Hong Kong com a melhor fotografia de Christopher Doyle e Keung Lau Wai, além de ter ganho como melhor filme, melhor diretor, melhor ator e melhor montagem, dentre outros.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Antichrist - Lars Von Trier
Bem, tirando as teias de aranha com um filme denso, depois de uma longuíssima pausa.Trata-se de terror psicológico, subjetivo, reflexivo. Caminha pelas veia da loucura humana fazendo referências bíblicas e religiosas. Considerado herege mas um tanto quanto pacífico demais. A personagem principal, vive na carne viva, explosiva, langue. Após ter perdido o filho num duro acidente, entra em profunda depressão.
Cortes no eixo em algumas vezes, mas a maioria dos planos são clássicos, imperceptíveis. O investimento maior com certeza foi plástico. Que plasticidade absurda! Não vou dizer sublime por trata de um tema extremamente sujo, mas uma plasticidade gritante, rica, onírica. Nos transporta para dentro de um universo em confusão, em conflito com questões sentimentais. As imagens nos confundem ao ponto de nos fazer enlouquecer também.
Um filme de terror inovador, quase surreal. Acho que não tenho mais nada a dizer sobre ele. Se puder, assistam, reassistam, reflitam.


quarta-feira, 24 de junho de 2009
Charlie Kaufman, Jean Epstein e Alejandro González - Tempo, espaço e linearidade.

(Charlie Kaufman)
Certa dos riscos que corro ao descorrer sobre a questão, arrisco-me (em certo deleite) na árdua tarefa de expor o que absolvi desses diretores e roteiristas peculiares, porém com pontos que se encontram. Como todo risco que me disponho a correr - cinematográficamente - esse é talvez um dos mais saborosos e excitantes, pois Kaufman e Alejandro sem dúvida - quam sabe bebendo, ambos, da onda impressionista francesa, onde se encontra Epstein - esquecem completamente o que siginifica continuidade, no sentido clássico, tornando seus filmes inteligíveis apenas em nossa consciência, como se deixassem para nós a tarefa da "montagem" e o sentido dos elementos de continuidade.


(Jean Epstein)Dizer que não existe racord nos filmes dos três cineastas é quase uma heresia, pois podem não estar aglutinados sequencialmente mas se encontram na louca montagem descontinua dos filmes. Jean Epstein, o mais "careta" dentre eles, talvez pela idade, não abandona completamente a montagem clássica, apenas inveztindo descontinuidade nos elementos poéticos que tangem o sentido do filme. Já os outros dois, nossos contemporâneos, investem completamente em uma ordem desordenadamente montada. Um raccord de lembrança que está presente em nosso consciente atento ao filme.

(Alejandro González)
São sem dúvida três cineastas diferentíssimos, ainda mais no que diz respeito à temática e poética. Mas para os mesmos, sem dúvida, o tempo é construido cinematográficamente da forma que queremos. Assim como pode ser construído por nosso intelecto. O espaço é o que queremos que seja de acordo com a nossa demanda de tempo, e a linearidade nem sempre é possível e nem sempre é bem vinda.
Filmes recomendados:
A Queda da Casa de Usher - Jean Epstein (direção)
Adaptação - Charlie Kaufman (roteiro)
Sinédoque - Charlie Kaufman (direção)
Quero ser John Malkovich - Charlie Kaufman (roteiro)
Amores Brutos - Alejandro González (direção)
Babel - Alejandro González (direção)
21 Gramas - Alejandro González (direção)
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Melhores Filmes da Década - Revista Paste


sábado, 9 de maio de 2009
Quero Ser John Malkovich - Spike Jonze
Being John Malkovich (1999)

